A FecomercioSP e o Sindilojas participam, nesta terça-feira, em Brasília, de um debate com representantes do setor produtivo e parlamentares para discutir os impactos da proposta de redução da jornada de trabalho para o modelo 5×2.


Carlos Augusto Gobbo, presidente do Sindilojas Campinas, e Mauricio Marcon, deputado federal
O posicionamento institucional está alinhado ao Manifesto pela Modernização da Jornada de Trabalho no Brasil, documento assinado por mais de 100 entidades representativas do setor produtivo. O texto reconhece que o debate sobre qualidade de vida e bem-estar do trabalhador é legítimo, mas ressalta a necessidade de avaliação técnica aprofundada quanto aos impactos sobre competitividade, produtividade e preservação do emprego formal.
Emprego formal no centro do debate
De acordo com dados mencionados no manifesto, o Brasil possui entre 38,9 milhões e 48,45 milhões de vínculos formais, conforme diferentes bases estatísticas. Para as entidades, qualquer alteração estrutural na jornada precisa considerar esse contingente e evitar medidas que possam estimular a informalidade ou reduzir contratações.
O documento também destaca que cerca de 40% da população economicamente ativa já se encontra na informalidade, cenário que pode ser agravado caso o aumento de custos comprometa a capacidade de manutenção de postos formais.

Carlos Augusto Gobbo, presidente do Sindilojas Campinas, e Marcel van Hattem, deputado federal
Necessidade de debate técnico e setorial

Carlos Augusto Gobbo, presidente do Sindilojas Campinas, e Luiz Carlos Motta, deputado federal
Durante o debate em Brasília, as entidades defendem que a modernização das regras trabalhistas deve ocorrer com base em quatro pilares:
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Preservação do emprego formal;
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Produtividade como fundamento de sustentabilidade;
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Diferenciação por setor, com fortalecimento da negociação coletiva;
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Discussão técnica aprofundada, com diálogo social estruturado.
Para a FecomercioSP e o Sindilojas, a adoção de um modelo único de jornada, sem considerar a heterogeneidade dos setores econômicos, pode gerar desequilíbrios relevantes, sobretudo para micro e pequenas empresas.
As entidades reiteram que o objetivo não é impedir o debate, mas garantir que qualquer mudança seja construída de forma responsável, preservando competitividade, emprego formal e estabilidade econômica.






