Brasília encerra esta quarta-feira com uma mudança importante dentro da comissão da 6×1. A audiência com o ministro Luiz Marinho mostrou que o debate começou a sair do campo puramente social e entrou definitivamente na discussão econômica e setorial. O dado mais relevante do dia foi a sinalização do relator Leo Prates e de representantes da OIT defendendo negociação coletiva, transição gradual e adaptação conforme a realidade de cada setor.
Nos bastidores da Câmara, a avaliação é que a forte mobilização empresarial liderada pela FecomercioSP nos últimos dias influenciou diretamente essa mudança de ambiente dentro da comissão. O movimento ganhou repercussão política e ajudou a trazer para o centro do debate temas como custo do emprego, informalidade, sustentabilidade previdenciária e impacto operacional sobre atividades intensivas em mão de obra.
A participação do presidente do Sindilojas Campinas, Carlos Augusto Gobbo, acompanhando de perto as articulações em Brasília ao lado das lideranças da FecomercioSP, reforçou a representatividade do comércio varejista regional dentro das discussões nacionais sobre os impactos da jornada de trabalho e os desafios enfrentados pelos setores intensivos em mão de obra.
Nesse cenário, ganhou força a emenda apresentada pelo deputado Zé Trovão, construída a partir de sugestões técnicas da FecomercioSP. O texto passou a ser visto dentro da comissão como uma das primeiras propostas estruturadas focadas em negociação coletiva, diferenciação setorial, compensação econômica, segurança jurídica e preservação do emprego formal.
Ao mesmo tempo, cresceu em Brasília o debate da chamada PEC do Emprego, defendida pelo senador Laércio Oliveira e debatida no seminário realizado ontem com participação do setor produtivo. A proposta de substituir os atuais 20% sobre a folha por até 1,4% sobre a receita bruta começou a ganhar espaço como alternativa para reduzir custo de contratação e combater a informalidade.
No plenário, Hugo Motta manteve a Câmara funcionando em ritmo acelerado via Infoleg. Entre as matérias aprovadas, destaque para o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e para o PL 5744/23, que endurece penas para crimes contra profissionais da segurança privada, medida vista como importante reconhecimento institucional para um dos segmentos mais relevantes da prestação de serviços intensivos em mão de obra.
A leitura que ficou em Brasília ao final do dia é clara: o setor produtivo deixou de atuar apenas de forma reativa e passou a influenciar diretamente a construção técnica e política da discussão sobre jornada de trabalho.






