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Próprio ou franquia? Como escolher o melhor modelo de negócio

Empreender requer planejamento rigoroso, análise de mercado e compreensão do seu perfil como empresário

Tanto para quem pretende abrir um negócio próprio quanto para adquirir uma microfranquia ou nanofranquia, o planejamento prévio é fundamental para que que seja possível analisar o mercado de atuação, os custos, o prazo de retorno dos investimentos, a aceitabilidade do produto no mercado, entre outros aspectos relevantes, minimizando eventuais riscos.

Além disso, ter afinidade com o tipo de negócio é outra questão importante que deve ser levada em conta pelo empreendedor. De nada adianta abrir uma atividade considerada rentável e com potencial de crescimento se o empreendedor não tiver qualquer tipo de afinidade e conhecimento, já que a probabilidade de fracasso será grande.

A escolha do modelo de negócio, seja marca própria, seja franquia, deve abranger a identificação de prós e contras. Cada modelo tem características próprias, tanto em termos de gestão como de investimentos. Acompanhe, a seguir, alguns pontos relevantes.

Negócio próprio

Criar um negócio do zero é uma jornada que exige criatividade, dedicação e visão clara de mercado, além de, claro, considerar o “apetite ao risco” do empreendedor, ideal para empreendedores que desejem liberdade total e tenham habilidade para inovar.

Vantagens

  • Autonomia: o empresário tem liberdade total para tomar decisões, como controlar aspectos do negócio — por exemplo, mix de produtos, preços e estratégia de marketing.
  • Criação de identidade única: possibilidade de construir uma marca própria e diferenciada.
  • Possibilidade de inovação: há mais flexibilidade para testar ideias e adaptar o negócio às mudanças de mercado.
  • Potencial de crescimento: um negócio próprio bem-sucedido pode escalar de forma relevante, sem limitações impostas por terceiros.
  • Potencial de lucro maior: não há taxas recorrentes, como royalties, a serem pagas para franquias, por exemplo.

Desvantagens

  • Riscos elevados: sem um modelo testado, a incerteza inicial é maior. As ações do planejamento devem ser muito bem definidas e claras.
  • Alta demanda de conhecimento: o empreendedor precisa gerenciar, sozinho, as finanças, o marketing e as operações.
  • Investimento inicial variável: pode ser alto dependendo do setor e da estrutura necessária.
  • Tempo maior para retorno: o reconhecimento da marca e a fidelização de clientes levam tempo (em média, de dois a cinco anos).

Microfranquias

Opção acessível para quem deseja começar com um modelo testado e conhecido pelo mercado, as microfranquias oferece investimento inicial de até R$ 135 mil.

De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o modelo de negócios se estabilizou depois de crescer 87% entre maio de 2021 e maio de 2023 — o que, junto a outros dados de maturidade, indica maior consolidação do segmento. Este ao mesmo tempo, continua a receber novas entrantes (em ritmo menor), enquanto marcas ultrapassam o teto e passam a se enquadrar como franquias tradicionais.

O setor de Serviços e outros negócios continuam predominantes entre as microfranquias (muito alavancados na área de Finanças), mas o que chama a atenção é o crescimento de marcas nas atividades de alimentação e casa e construção, além da presença consolidada em outras áreas, como Saúde, Beleza e Bem-Estar e Educação. Grande parte das microfranquias opera no Sudeste do País (52%), revelando que há espaço nas demais regiões para o desenvolvimento desse modelo, o qual oferece capacitação e profissionalização para diversas atividades ainda realizadas de forma autônoma e sem padronização.

Vantagens

  • Baixo investimento inicial: o custo de entrada é geralmente menor de que em franquias tradicionais, o que torna o modelo acessível para novos empreendedores.
  • Modelo testado e validado: reduz o risco de falhas iniciais em comparação com o começar um negócio do zero.
  • Reconhecimento da marca: franquias conhecidas têm mais aceitação no mercado.
  • Suporte contínuo: treinamento, suporte operacional, estratégia de marketing e orientações são oferecidos pela franqueadora, facilitando o gerenciamento do negócio.
  • Expansão do mercado: com custos operacionais mais baixos, é possível atingir mercados locais ou de nicho de maneira mais eficiente.
  • Foco em mercados locais ou nichos: é possível atender a uma demanda específica de forma eficiente.
  • Rapidez na implantação: a estrutura enxuta permite iniciar as operações rapidamente.
  • Facilidade de financiamento: muitas microfranquias têm parcerias com bancos ou linhas de crédito específicas para facilitar o financiamento.
  • Retorno mais rápido: geralmente ocorre entre 12 e 24 meses.

Desvantagens

  • Autonomia limitada: o franqueado deve seguir regras e padrões da franqueadora.
  • Lucros limitados: por serem menores, as microfranquias podem gerar um faturamento e margem de lucro mais restritos, dependendo do setor.
  • Maior dependência do franqueador: a franqueadora tem controle relevante sobre as operações, o que pode limitar a autonomia do franqueado.
  • Concorrência elevada: em razão da popularidade do modelo, pode haver grande concorrência no mercado, inclusive entre franqueados da mesma rede.
  • Menor escalabilidade: nem todas as microfranquias têm potencial para crescimento rápido ou expansão em larga escala.
  • Custos recorrentes: royalties e taxas de marketing podem impactar a rentabilidade.

Nanofranquias

O interesse por franquias de pequeno porte cresceu durante a pandemia. Por ter um valor reduzido em relação às demais, as nanofranquias (com investimento de até R$ 25 mil) costumam ser digitais. É possível oferecer serviços ou vender produtos pela internet sem precisar de local físico. São ideais para quem possui recursos limitados. Serviços educacionais, serviços de consultoria, vendas diretas e assistência técnica são alguns exemplos desse modelo de negócios.

Vantagens

  • Baixo investimento inicial: ideal para empreendedores com menos capital. Geralmente, o investimento inicial é menor em comparação com as franquias tradicionais, tornando-as mais acessíveis para empreendedores limitados.
  • Flexibilidade: as nanofranquias permitem que os empreendedores tenham controle do horário de trabalho, o que é atraente para quem busca conciliar vidas pessoal e profissional. O modelo também é vantajoso para quem procura uma fonte de renda complementar.
  • Modelo simples e enxuto: flexibilidade para gerenciar o negócio em casa ou remotamente, sem a necessidade de se ter gastos com aluguel de espaço físico, por exemplo.
  • Facilidade de gestão: por serem negócios menores, as nanofranquias demandam menos tempo e recursos para administração, sendo ideais para quem está começando ou busca uma renda extra.
  • Retorno rápido: em decorrência do baixo custo inicial, o tempo médio de retorno é mais curto, geralmente de 3 a 12 meses.
  • Apoio básico da franqueadora: Assim como em micro e macrofranquias, as nanofranquias oferecem suporte, treinamento e orientações, embora em menor escala.

Desvantagens

  • Baixa margem de lucro: em virtude do tamanho reduzido do negócio, o potencial de lucro também pode ser limitado, exigindo volume maior de vendas para bons resultados.
  • Baixa escalabilidade: as oportunidades de crescimento podem ser limitadas por causa do baixo investimento.
  • Dependência do franqueador: assim como em outros modelos de franquia, o franqueado precisa seguir as diretrizes da franqueadora, limitando a autonomia no negócio.
  • Menos suporte: alguns modelos oferecem treinamentos mais básicos, o que pode ser desafiador para quem busca apoio mais estruturado.
  • Dependência de nichos específicos: alterações no mercado podem afetar diretamente o negócio.
  • Alta concorrência: a facilidade de entrada no mercado permite a existência de muitas opções similares, intensificando a competição.
  • Autodisciplina: é preciso ter autodisciplina ao trabalhar em um ambiente home office, pois pode ser difícil manter o foco e a produtividade.
  • Possível dificuldade de gerar clientes: algumas microfranquias exigem que o franqueado tenha habilidades de prospecção, especialmente no modelo home based (baseada em casa).

Comparação entre os modelos de negócios

Critério Negócio próprio Microfranquia Nanofranquia
Investimento Inicial Variável Até R$ 135 mil Até R$ 25 mil
Autonomia Total Limitada Muito limitada
Riscos Elevados Moderados Baixos
Suporte Nenhum Extenso Básico
Retorno do Investimento 2 a 5 anos 12 a 24 meses 3 a 12 meses
Escalabilidade Alta Moderada Baixa

 

Escolha certa

Decidir-se entre negócio próprio ou franquia depende de fatores como perfil, tolerância ao risco e recursos financeiros. Ambos os modelos oferecem oportunidades, mas é o planejamento estratégico e a execução cuidadosa que determinarão o sucesso do empreendimento. Veja, a seguir, algumas dicas para acertar na escolha.

  • Avalie o perfil empreendedor: se prefere segurança e suporte, escolha uma franquia. Se busca liberdade criativa, o negócio próprio é ideal. Mas, antes de tudo, estude o mercado bem como os recursos disponíveis para a realização de tal investimento.
  • Planeje detalhadamente: crie um plano de negócios sólido que inclua análise de mercado, projeção de custos e estimativa de retorno financeiro. Utilize ferramentas de gestão financeira para manter as finanças organizadas. No caso das franquias, verifique com a franqueadora o detalhamento de todos os custos iniciais e considere o capital de giro necessário — que, muitas vezes, não está incluído na estimativa de investimento inicial — e avalie se o retorno estimado é compatível com a sua expectativa financeira.
  • Busque capacitação: participe de cursos e treinamentos oferecidos por instituições como o Sebrae e acompanhe as orientações fornecidas pela FecomercioSP.
  • Considere consultorias especializadas: além da FecomercioSP e do Sebrae, empresas de consultoria podem ajudar a definir o melhor modelo para você.
  • Utilize estratégia de marketing digital: com baixo custo, o empreendedor pode utilizar as redes sociais para realizar live commerces de forma a alcançar mais clientes.
  • Evite negócios da moda: foque em setores com demanda sustentável e evite atividades sazonais ou com alto risco de obsolescência.
  • Pesquise o mercado: utilize plataformas como IBGE, DataSebrae, Google Trends e relatórios da Associação Brasileira de Franchising (ABF) para obter informações sobre o mercado e as tendências.
  • Converse com outros empreendedores: troque experiências com pessoas que já atuem no setor de interesse, especialmente franqueados de marcas consolidadas.
  • Estude o contrato no caso de franquias: avalie as cláusulas para evitar surpresas.

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